
Às vésperas da campanha eleitoral de 2026, o Partido dos Trabalhadores (PT) no Tocantins vive um cenário de atuação discreta e de movimentações políticas em frentes distintas. Embora o partido mantenha apoio unificado à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as articulações estaduais seguem ritmos diferentes, evidenciando a falta de um palanque integrado no estado.
De um lado, a ex-senadora Kátia Abreu, responsável pela coordenação da campanha presidencial de Lula no Tocantins, concentra esforços na construção de uma ampla base de apoio ao projeto nacional. A estratégia tem sido reunir prefeitos, lideranças políticas e representantes de diferentes grupos em torno da candidatura presidencial, sem, até o momento, vincular essas agendas ao projeto majoritário estadual.
Em outra frente, o ex-deputado Paulo Mourão mantém sua pré-candidatura ao Senado ao lado do vice-governador Laurez Moreira (PSD), fortalecendo uma composição própria para a disputa estadual. As movimentações seguem de forma paralela às agendas conduzidas pela coordenação da campanha presidencial.
Enquanto isso, a direção estadual do PT, presidida por Nile William, tem adotado uma postura discreta diante da reorganização interna da legenda. Apesar de acompanhar o processo político, o comando partidário aparece com pouca participação nas principais articulações que envolvem as eleições de 2026.
Nos bastidores, interlocutores avaliam que o desconforto entre os diferentes grupos não está relacionado ao apoio ao presidente Lula, que permanece consenso dentro do partido. O ponto de divergência estaria na ausência de uma estratégia conjunta que aproxime o projeto presidencial da composição estadual.
A leitura entre lideranças políticas é de que a prioridade da coordenação da campanha de Lula é ampliar o número de aliados ao projeto nacional, independentemente do palanque estadual que prefeitos e dirigentes partidários escolham integrar durante a disputa pelo Governo do Tocantins e pelas vagas ao Senado.
Com isso, o PT entra no período pré-eleitoral mantendo unidade em torno da candidatura presidencial, mas ainda sem apresentar um projeto político estadual unificado, cenário que reforça a percepção de palanques distintos e de uma atuação institucional mais reservada da legenda no Tocantins.


