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Racha político no grupo de Wanderlei Barbosa redefine cenário sucessório no Tocantins

Distanciamento entre governador e antigos aliados, disputa de espaços políticos e crise na comunicação institucional expõem desgaste interno e abrem nova fase na política tocantinense

Redação
Por: Redação
09/05/2026 às 00h08 Atualizada em 09/05/2026 às 00h47
Racha político no grupo de Wanderlei Barbosa redefine cenário sucessório no Tocantins
Foto ilustrativa

O cenário político do Tocantins vive uma transformação silenciosa, mas profunda. O grupo que levou o governador Wanderlei Barbosa a uma vitória expressiva nas últimas eleições estaduais já não demonstra a mesma unidade de antes. O afastamento político entre o chefe do Executivo estadual e importantes lideranças que estiveram ao seu lado na campanha evidencia uma nova configuração de forças no estado.

Nos bastidores, a relação institucional entre o governador e o presidente da Assembleia Legislativa, Amélio Cayres, entrou em uma fase de distanciamento político. Até pouco tempo, as divergências eram tratadas apenas como movimentações naturais do jogo eleitoral. Porém, o cenário mudou quando Amélio passou a construir um projeto político mais independente, aproximando-se politicamente de Vicentinho Júnior.

Enquanto isso, Wanderlei Barbosa também reposicionou sua estratégia e estreitou relações com a senadora Dorinha Seabra, uma das figuras mais influentes da política tocantinense na atualidade. O resultado é um claro redesenho das alianças que sustentavam o grupo político vencedor da última eleição estadual.

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Além de Amélio e Vicentinho, outros nomes de peso que integravam a base política do governador, como Alexandre Guimarães e Laurez Moreira, hoje aparecem em campos políticos distintos ou em posições mais independentes. O grupo que antes caminhava unido agora demonstra sinais evidentes de fragmentação.

Nos bastidores da política tocantinense, cresce a avaliação de que o maior desgaste pode recair justamente sobre o governador. Sem mandato a partir de um futuro próximo, Wanderlei Barbosa enfrenta o desafio de manter influência política em um cenário cada vez mais competitivo e dividido. Analistas políticos avaliam que o governador corre o risco de perder espaço estratégico por não concorrer uma vaga ao Senado, além de comprometer projetos políticos ligados ao seu grupo familiar, incluindo a possibilidade de fortalecimento eleitoral da primeira-dama Karine Sotero.

Outro fator que aumentou o desgaste político foi a sucessão de conflitos internos envolvendo aliados históricos. O distanciamento com o vice-governador e agora o enfraquecimento da relação com o presidente da Assembleia ampliaram a percepção de instabilidade dentro do núcleo governista.

No meio desse tabuleiro, quem aparenta atravessar o momento com maior tranquilidade é a senadora Dorinha. Com mandato garantido no Senado, a parlamentar mantém posição estratégica independente do desfecho das futuras eleições estaduais. Caso avance politicamente, fortalece ainda mais seu protagonismo; caso contrário, permanece com espaço consolidado em Brasília.

Enquanto as lideranças reorganizam alianças e projetos para 2026, outro problema começa a ganhar repercussão entre jornalistas e empresários da comunicação no estado: o atraso nos pagamentos aos veículos de imprensa contratados pelo governo estadual.

Nos últimos dias, declarações de profissionais da imprensa repercutiram nos bastidores ao relatarem dificuldades enfrentadas por empresas de comunicação diante da demora nos repasses institucionais. O assunto, embora tratado de forma reservada por muitos setores da mídia, vem gerando insatisfação crescente no segmento.

A cobrança agora também recai sobre a Secretaria de Comunicação do Estado, que passa a ser pressionada a encontrar soluções administrativas para regularizar os pagamentos e evitar novos desgastes com os veículos de comunicação do Tocantins.

O fato é que o cenário político tocantinense já não é mais o mesmo da última eleição. O grupo que venceu unido agora vive uma disputa silenciosa por espaço, influência e sobrevivência política. E, como toda grande partida política, os verdadeiros vencedores e derrotados só serão conhecidos quando o eleitor voltar às urnas.

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