
A desde de segunda feira , 22 de dezembro, Maranhão e Tocantins voltam a estar plenamente integrados por via terrestre. O Governo Federal entregou a nova Ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, sobre o Rio Tocantins, restabelecendo a ligação entre os municípios de Estreito (MA) e Aguiarnópolis (TO), no trecho da BR-226.
A nova estrutura substitui a antiga ponte, que colapsou há exatamente um ano, e foi concluída em tempo recorde, cumprindo o prazo de menos de 365 dias — um feito raro em grandes obras de infraestrutura no país.
Durante a cerimônia de liberação do tráfego, o ministro dos Transportes, Renan Filho, destacou o simbolismo da entrega.
“Hoje é um dia de recomeço. Muitos duvidaram que essa ponte seria entregue em apenas um ano, mas ela está pronta, aberta ao tráfego e preparada para o desenvolvimento futuro da região, inclusive para uma eventual duplicação da rodovia”, afirmou.
A obra recebeu investimento de R$ 171,97 milhões, com recursos do Governo do Brasil, e foi executada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Cerca de 500 trabalhadores atuaram em regime contínuo, dia e noite, o que permitiu o avanço acelerado dos serviços.
A nova Ponte JK possui 630 metros de extensão e 19 metros de largura, garantindo mais segurança, fluidez e capacidade de tráfego. Durante o período em que a travessia dependia de balsas, o fluxo diário chegou a aproximadamente 950 motocicletas, 1.150 veículos e 350 caminhões, gerando custos, atrasos e insegurança para a população.
“Há um ano assumimos o compromisso de devolver essa infraestrutura à sociedade. Hoje, estamos saldando essa dívida e reconectando Maranhão e Tocantins”, declarou o diretor-geral do DNIT, Fabrício Galvão.
Estreito, no Maranhão, tem cerca de 34 mil habitantes, enquanto Aguiarnópolis, no Tocantins, abriga aproximadamente 4,5 mil moradores. Para muitos, a travessia da ponte faz parte da rotina diária para trabalho, estudo, acesso a serviços públicos e atividades comerciais.
A comerciante Graziele Barbosa, dona de um restaurante em Estreito, vê a nova ponte como um divisor de águas para a economia local.
“A expectativa é de mais movimento na cidade. Acreditamos que o comércio vai melhorar e que a ponte trará mais renda e oportunidades para os dois lados do rio”, afirmou.
Morador da região, Jasson Souza também destacou o significado da entrega.
“A ponte não liga só dois estados, ela liga histórias e a economia. Traz alívio, esperança e perspectiva de crescimento. Ver essa obra pronta em menos de um ano é algo gratificante”, disse.
Além do impacto local, a Ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira tem importância estratégica nacional. Integrada à BR-226, a estrutura faz parte de um corredor logístico essencial entre as regiões Norte e Nordeste, facilitando o escoamento da produção agrícola do Matopiba — área que abrange Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, considerada uma das principais fronteiras agrícolas do país.
Apesar da relevância da obra e do simbolismo da reconstrução após o colapso da antiga ponte — episódio que resultou em mortes e marcou profundamente a região —, a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na inauguraçãofoi percebida por lideranças locais e moradores como uma oportunidade perdida.
A ponte leva o nome de Juscelino Kubitschek, ex-presidente associado ao desenvolvimento e às grandes obras de integração nacional. Para observadores políticos, faltou articulação e sensibilidade para que o atual presidente estivesse presente em um momento carregado de significado histórico, político e humano, especialmente diante das circunstâncias trágicas que envolveram a queda da estrutura anterior.
Ainda assim, a entrega da nova Ponte JK simboliza a retomada da mobilidade, da economia e da esperança para milhares de brasileiros que dependem diariamente dessa ligação entre Maranhão e Tocantins.
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